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Notas do Herbalista 1: Espinheiro-alvar

Iniciamos hoje uma rubrica regular sobre Plantas Aromáticas e Medicinais e os seus usos, e não há planta melhor para começar que o Espinheiro-alvar.

O Espinheiro-alvar é um arbusto, comum nas nossas florestas, que cresce em forma de pequena árvore com 3 a 8 metros de altura.

Embora acarinhado pelos que o conhecem, é muitas vezes considerado "mato" e cortado por ter espinhos. É, no entanto, uma das plantas medicinais mais conhecidas e documentadas.

Espinheiro-alvar
Ilustração pelo Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé

Ficha Botânica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Crataegus

O Espinheiro-alvar, também conhecido por Pilriteiro, Espinheiro-branco ou Escambrulheiro, cresce junto de florestas, sendo também cultivado em sebes ou como árvore em hortas e jardins. As duas espécies mais comuns são a Crategus monogyna Jacq. s. l. e a Crataegus laevigata (Poiret) DC., sendo também comum a ocorrência de híbridos das duas.* Era uma das árvores sagradas dos Druidas e os neo-pagãos chamam-lhe a Árvore da Deusa. Durante o festival celta de Beltane (1º de Maio) as mulheres usavam coroas feitas com as suas flores por acreditarem que estas eram altamente eróticas para os homens.

As folhas do Espinheiro-alvar têm fendas profundas, são recortadas (um pouco menos no C. laevigata) e têm pelos no avesso. As flores, de cor branca, têm 5 pétalas e crescem em corimbos, embora no C. laevigata possam ocorrer outros estilos. Os frutos, embora se assemelhem a bagas, são pomos (como as maçãs) esféricos de cor vermelha, com uma única semente.

Usos medicinais e princípios activos:

No século XIX, um médico irlandês de nome Dr. Green, ficou famoso pelo seu remédio secreto para a "doença cardíaca". Mais tarde veio-se a descobrir que era apenas uma tintura de Espinheiro-alvar.

Os frutos, as folhas e as flores contêm flavonóides, ácidos e procianidina. É antioxidante, antiespasmódico, sedante, tónico cardíaco e normalizador da pressão arterial.

Indicado para problemas circulatórios, como a hipertensão, arterioesclerose, má circulação periférica e doenças coronárias, os frutos, folhas e flores do Espinheiro-alvar podem ser usados em tinturas e infusões, assim como em extracto padronizado ou cápsulas (estes dois usos recomendados apenas para uso por profissionais). A dose recomendada para um adulto é de 2 a 4g por dia (num máximo de 30g por semana).

Usos culinários:

Os frutos do Espinheiro-alvar, chamados pilritos ou carrapitos, podem ser utilizados para a elaboração de compotas, geleias e licores. Pode ainda ser feita uma espécie de sidra, conhecida como Vinho de Pilrito, através da fermentação dos pilritos esmagados.

 

* Em alguma literatura antiga pode surgir a denominação obsoleta de Cratægus oxyacantha L.pp. para ambas as espécies, especialmente para a C. laevigata.

3 comentários em “Notas do Herbalista 1: Espinheiro-alvar

  1. Maria

    Bom dia! Muito bom artigo. Onde é possível encontrar mudas do Espinheiro Alvar? Em quais regiões do Brasil essa árvore cresce?

    Responder
    1. André

      Aqui em Portugal é possível comprar em viveiros, aí no Brasil também deve encontrar. Quanto às regiões, o site Flora do Brasil 2020 (gerido pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro) tem como ocorrências confirmadas a região de Rio Grande do Sul.

      Responder

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